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Em discussão o papel da psicóloga negra

14/01/2013 às 9h04 - Atualizado em 14/01/2013 às 9h04

Qual é o papel da psicóloga negra numa sociedade marcada pelo preconceito? O tema despertou um grande debate no painel que tratou do tema “O feminino na psicologia: muitas e diferentes mulheres”, durante a 2ª Mostra Nacional de Práticas em Psicologia, realizada entre os dias 20 e 22 de setembro, em São Paulo. A coordenadora do Observatório Negro, psicóloga Maria de Jesus Moura, abordou a ampla mobilização que teve início com o I Encontro Nacional de Psicólogas (os) Negras (os) e Pesquisadoras (os) das Relações Raciais e Subjetividades – I PSINEP, realizado em 2010, em São Paulo. O próximo encontro será em Recife, de 21 a 24 de março de 2013.

A partir do encontro está se consolidando uma rede de psicólogos negros que trabalham com questões raciais, informou a psicóloga. “O I Encontro foi realizado na USP, onde sempre houve resistência no trato de questões que interessam aos psicólogos negros, mas agora a situação está mudando”, comemorou.

Jesus Moura explicou que um dos principais objetivos da entidade que dirige está em fazer os profissionais compreenderem os processos psíquicos enfrentados pelas pessoas negras ao serem expostas à discriminação racial e ao racismo institucional. “O profissional negro precisa enfrentar este desafio. Antes de qualquer atitude, nós devemos entender nós mesmas. Já é difícil ser negro, e mais difícil ainda, é assumir a identidade negra”, afirmou Jesus Moura.

A professora defendeu a necessidade de uma “desconstrução pessoal” no caso de psicólogos negras, que trazem uma bagagem de preconceito ao longo da vida. “A partir do momento que vemos em nós reflexos disso e nos conscientizamos, fica mais fácil fazer um trabalho com o outro. Tem que haver uma construção social. O objetivo é aprender a lidar com as diferenças e nós, como profissionais em psicologia, devemos ter esse cuidado como princípio”, afirmou.

A psicóloga gaúcha, Eliana Xavier, lembrou durante os debates que no Rio Grande do Sul os negros representam 16% da população, mas para o restante do país os países do Sul são passados pela mídia como estados de brancos.”Quando enxergamos esse racismo precisamos, como profissionais, saber como entender e enfrentar esse processo anti-ético”, disse.

Carta do I PSINEP

O Encontro de Recife, em março de 2103, será um desdobramento dos debates do  fórum realizado em São Paulo em 2010, quando foi divulgada a Carta de São Paulo, segundo explicou Jesus Moura. No documento, os psicólogos reafirmam o entendimento de que o racismo constitui uma das questões mais fundamentais para a compreensão dos processos de exploração e dominação instalados na sociedade brasileira.

“Tal condição exige que todos os esforços sejam empreendidos no sentido de elucidar seus mecanismos que, engendrados em uma história marcada por séculos de escravização, resultaram em padrões de relações raciais que ocultam perversamente a violência sistemática imposta historicamente à população negra”, assinala a Carta.

De acordo com os participantes do 1 PSINEP,   “o racismo à moda brasileira constitui um dos mais sofisticados e enigmáticos mecanismos que, operando por meio da violência sistemática e silenciada, produz e torna cada vez mais agudas as desigualdades sociais, que no Brasil têm também um viés eminentemente racial”.

“Estes aspectos – reforça a Carta de São Paulo- se encontram fortemente inscritos nas dinâmicas institucionais que regem o funcionamento da sociedade brasileira, marcada em seu imaginário pelo mito da democracia racial, condição responsável pela configuração de formas de subjetivação social que naturalizam práticas correntes pautadas no racismo, na discriminação e no preconceito.”

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